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nexiumjournal

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January 17th, 2015

Eu queria antes de começar deixar claro que as grandes violências, aquelas que destroem o corpo e a alma; são elas que se fazem ver, são elas que revoltam meio mundo e que fazem com que os passos tímidos em direção a verdadeiras mudanças se tornem passos largos. Mas eu estou aqui para falar das pequenas violências, das pequenas afrontas, dos equivalentes de aftas ou unhas encravadas emocionais,aquelas que não são cirurgias de peito aberto, mas que destroem muito mais do que se imagina.

Quando estava na escola eu sofria bullying sim, mas só uma vez sofri agressão física. Lembro das bolinhas de papel, dos olhares esquisitos toda vez que me via obrigado a sentar ao lado de uma pessoa que não conhecia no segundo ano Sim, tinha 16 anos e as carteiras escolares eram distribuidas em pares na sala quando  ouvia alguém falar que eu deveria entender de moda, quando percebia meu nome sendo mencionado por alguém e meus obros quase encobrindo minha orelhas de tanta tensão, ou ainda quando falavam mal de garoto mais afetado do meu ano que era filho de uma professora de educação física e se empolgava fazendo as coreografias das danças de final de ano da escola. Acho que essas eram violências de médio porte. Estavam lá, eram explícitas, não machucavam fisicamente e também não chegavam a me desintegrar emocionalmente.

Já as pequenas são aquelas que te enganam, que te dizem estar tudo bem e na verdade são agressões escondidas atrás de uma cortina de fumaça. A primeira que percebi foi quando fui a psicóloga da escola, justamente para conversar sobre a aflição de uma iminente agressão física. Expliquei para aquela simpática senhora que não me sentia bem em lugar algum, que não me sentia bem comigo mesmo e que aparentemente meus colegas, alguns outrora amigos, não ajudavam muito ao me tratar com indiferença ou caçoarem de mim. Não esqueço do franzimento na testa daquela mulher, nem do formato das rugas que faziam a boca murcha dela desenharem uma expressão de tristeza bizarra, uns três tons acima da empatia normal de qualquer pessoa. Era uma caricatura que tentava me dizer: "Estou sentindo o que você está sentindo.".  Eu terminei e como havia prometido para mim mesmo, não chorei, sem lágrimas, sem engasgar e sem guaguejar. Queria mostrar o que estava acontecendo me aflingia, mas não queria ceder ao desespero desses atos de violência medianos.

Foi aí que eu enxerguei o pequeno ato de violência. A primeira coisa que ela me disse foi que eu não tinha culpa de ser do jeito que era e que não deveria julgar as pessoas pois elas geralmente temem o desconhecido. Naquele momento ela me eximiu de culpa e aquilo pareceu o que eu queria ouvir, saí de lá com os ombros mais leves e uma sensação de que as coisas poderiam começar a mudar. Acontece que colocar a culpa na equação, eximir um ser de culpabilidade existencial e depois transferir a responsabilidade da reação alheia em relação a essa existência para o ser que é alvo desse tipo de violência foi uma forma de violência também. O tempo passou, entrei em uma espiral de loucura e conflitos internos e não esqueci jamais daquelas palavras, principalmente das que ela me falou antes de se levantar e abrir a porta para mim
— antes mesmo de eu me levantar, como se afirmasse que o seu trabalho estava feito — e sorrir: "Não se preocupe com o que os outros pensam de você, finja que não é com você que eles estão falando e se alguém te machucar de verdade, por favor, volte aqui para falar comigo".

Então é isso. O pequeno ato de violência se esconde também atrás do de grande e médio porte, é chamando a atenção para os outros atos e sua constituição que os pequenos atos saem impunes. A pequena violência do discurso de ajuda seja talvez a mais sutil e ao mesmo tempo ao mesmo tempo perpétua e definitiva forma de violência.

Hoje tudo o que eu queria era estar do outro lado dessa situação e sem empatia forçada dizer para alguém que não existe culpa em viver, o agressor é sempre responsável pelo que faz e que a dor de ser alvo deve ser expressada para o agressor, de maneira que ele perceba que está machucando, podendo assim fazer uma escolha consciente de continuar a fazê-lo ou cessar, o que deixará o julgamento e punição muito mais claro e objetivo. Nunca finja que não é com você e qualquer machucado, no corpo, na alma, na honra ou na sua identidade... qualquer machucado é de verdade.

April 27th, 2014

Wedding Bells

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Eu pensei agora. Estou pensando em ir em um casamento de uma amiga nos E.U.A. Estou com quase 30 anos e casado há uns quatro. O último casamento que fui foi de uma outra amiga -  fui padrinho - e foi um momento mágico, mesmo que o casamento hoje já não exista mais. Eu penso em como o universo heterosexual ainda celebra mais o casamento, como a família de ambas as partes enxergam o fato do filho(a) estar casando como uma benção. Tudo o que penso é: cada um corre atrás da felicidade do jeito que pode. E sempre vale a pena. Casamentos que duram para sempre, que duram dois anos ou quarenta. SEMPRE VALE A PENA.

March 8th, 2013

28 anos

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28 anos depois eu aprendi a lidar com frustrações. Não amo tudo que tenho nem tenho tudo que amo. E, por mim, tá legal assim.

It is All About Sex

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Eu sei que o mundo ensina que nem tudo na vida é sexo e que aos 84 anos a vida sexual é quase nula então tudo que sobra é um companheiro de conversa. Mas espera aí! Quando eu tiver 84 anos (se chegar lá) vou estar com um pé na cova. Até lá gostaria de ter vivido o fervor sexual que me é de direito na idade adulta. E quem é burro o suficiente para acreditar que toda a intimidade de um casal de velhinhos vem de altos papos decorridos em longas décadas e não de uma bela "fofada" (expressão emprestada de Mirella) bem dada todos os dias?

Sim, eu valorizo o sexo e tudo que ele representa.

February 11th, 2013

When I'm Upset, I eat

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Existe esse negócio quando você tem o que os gringos chamam de body dysmorphic disorder: você fica chateado com qualquer coisa, por menor que seja. E você come. Isso faz com que seja muito difícil manter uma dieta, já que para isso sua mente teria de ficar distraída pelo menos 24 horas por dia. Algo mudou em mim recentemente. Algo que me propele a buscar o que eu quero com mais sede ao pote. Não posso viver uma vida densa, cheia de dramas e reclamações. Até onde eu sei o único caminho para a magreza e saúde mental é a vida sem stress.

February 7th, 2013

Quartos de hotel

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Quartos de hotel estão sendo cada vez mais comuns. Você chega, desfaz um pedaço da mala e começa a se sentir em casa toda vez que volta da rua. Mas tem algo na mobília de escritório estilo anos 60, algo no carpete e nas cortinas sempre combinando com o que cobre a cama, na televisão que não é a sua e não passa os programas de buscar casas em outros países que você tanto adora... não sei se uma coisa ou outra... ou se a combinação de todas elas... mas algo faz com que você sinta saudade de casa.

Chega uma hora que o tempo não passa, que você ouve Shakira, faz abdominais (o_O ?), pensa em comer a barra de chocolate do frigobar e desiste 4500 vezes, zapeia os canais todos, escreve um livro, lê um livro; o tempo não passa. E você só quer o colo de uma pessoa, sua linda casinha com uma cama com os quatro pés quebrados, seu banho com shampoo anti-caspa com menthol e sabonete de erva doce. 

É isso gente. Viajar a trabalho não é tão divertido quanto parecia na adolescência; 
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